Quando a gente virou produto

A gente tem noção que construiu uma marca legal quando as pessoas realmente se identificam com ela. Quando a gente cria uma marca de um restaurante que ficará aberto pra atender um público, é difícil pensar quem vai se identificar de fato com ele: com as portas abertas, podemos receber todo tipo de clientes – e não necessariamente aqueles que idealizamos.

E a graça da história está aí: marcas são representações orgânicas, que vão mudando com as pessoas que gostam delas e as admiram. E o mais legal é perceber que não são as marcas em si que mudam os consumidores, mas o oposto – principalmente quando falamos de negócios de gastronomia. A gente só sacou de verdade isso quando passou a criar nossos produtos e ter uma demanda de pessoas que queriam compra-los: o molho de pimenta, o pão de calabresa, o copo...

Passamos a criar produtos e a vendê-los porque achamos incrível as pessoas quererem tê-los dentro de suas casas (tem espaço mais privado que nossa casa?). E foram muitos nesses anos... azeites e condimentos, pães e livros, bebidas e copos – tudo o que usamos e preparamos nas nossas próprias casas.  O panettone da Bráz, por exemplo, é um capítulo dessa história: todo ano aumentamos a produção e todo ano eles acabam antes do previsto. A gente fica feliz da vida dos clientes gostarem tanto do que fazemos a ponto de saírem de casa para consumir o que propomos a oferecer... e voltarem para ela com produtos debaixo do braço.